quarta-feira, 17 de setembro de 2014

NORMCORE: o que é, de onde veio e para onde vai essa tendência

Esse post é sobre uma tendência. E, embora muita gente atualmente afirme de que elas acabaram, isso não é verdade. As tendências de moda sempre existiram e sempre continuarão existindo enquanto houver sociedade. Tendências são resultados de processos sociais, econômicos, climáticos e geográficos. A diferença de tendências de hoje para, por exemplo, as de três décadas atrás, é que hoje nós temos a liberdade de querer ou não segui-la e adotá-la em nosso dia-a-dia (ainda que isso seja controverso).

É difícil que você ainda não tenha lido sobre essa palavra em algum post no Instagram, blog, ou Facebook. É a “normcore”. Uma macrotendência que emergiu há poucas temporadas, mas que só agora começou a ser vista por aí. Diferente de tipos de estampas ou cartela de cores, as macrotendências surgem de algo muito maior e demora, às vezes, anos para que as pessoas comecem a usar.

A normcore surgiu de uma necessidade das pessoas de negarem justamente as tendências. Pois é. Parece que o inconsciente coletivo cansou dos looks “produzidos demais”, e decidiram se vestir “de maneira natural, despretensiosa”. O que isso significa? Que tá todo mundo cansado do estilo forçado, quase artificial. O resultado disso são camisetas simples, moletons confortáveis, tênis de ginástica, meia e chinelo, calças de malha. Muito cinza, preto, branco, nudes. Cabelo despenteado, calças jeans reta, zero make, mínimo de acessórios possíveis. Parece assustador? E é.


Avaliando as últimas semanas de moda internacionais, a gente percebe que há uma tendência (eu tento evitar essa palavra, mas é inevitável) dos estilistas em prezarem mais pelo conforto e menos pelo look elaborado demais. Karl Lagerfeld, no último desfile da Chanel, substituiu os sapatos de design ultraelaborados por simples sandálias que a gente, popularmente, pode chamar de “Havaianas com tiras de cetim”. Isso sem falar da icônica apresentação que levou modelos a verdadeiros supermercados vestindo legging, tênis esportivo e moletom. Tem coisa mais vida real que isso?
No masculino, por sua vez, a rigidez da alfaiataria que sempre está presente nas coleções das marcas, foi combinada com confortáveis tricôs oversized, Papetes (já falei delas no último post) e meias aparentes.



A normcore foi “descoberta” por bureaux de tendências internacionais que trabalham antecipando modismos para as grandes empresas e mostrando qual o caminho que a sociedade está tomando para que eles criem suas estratégias de lançamentos e vendas. E esses sites de comportamento estão apontaram exatamente isso: as pessoas estão mostrando a necessidade, cada vez maior, de parecer “normal” e buscando um distanciamento de seguir modismos. A grande contradição, no entanto, é que, logo que surgiu, a normcore foi incorporada ao grande espetáculo do street style das semanas de moda e a tentativa de parecer natural, no entanto, foi por água abaixo. Se a ideia é não seguir modismos não faz sentido que as pessoas se induzam a vestir da tal maneira, concordam?


Acontece que as macrotendências pouco dependem do de street style ou de quão artificial o look pode ser. Isso significa que, de uma maneira ou outra, a normcore vai chegar tanto a você que pensa muito na roupa antes de sair de casa quanto ao seu vizinho enfermeiro que mal sabe combinar a camiseta com o jeans. Ou seja: a macrotendência te pega uma hora ou outra. Um exemplo disso é a cultura (e estilo) hipster que, queiram admitir ou não, atingiu a todas as tribos, idades e lugares. Óculos de armação retrô, camiseta estampada, barba e bigode? Tudo isso foi um reflexo que chegou a todas as pessoas.


E o por que você precisa se preocupar com isso? A verdade é que você não precisa se preocupar com isso e esse post não quer te induzir a sair às lojas em busca de roupas largas, tirar aquele tênis furado do fundo do armário e ir pra balada. A gente só quer mostrar que as tendências estão aí, surgem a cada mudança comportamental e chega no seu armário uma hora ou outra, às vezes, sem você nem perceber.

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