quarta-feira, 22 de maio de 2013

Pra mim a moda não era assim

Ontem quando tentei responder a uma entrevista para um blog de moda, percebi que não tinha algumas respostas suficientemente claras na minha cabeça para poder dar como resposta. A pessoa me perguntou “Como você entrou para o mundo da moda? E Por quê?”, uma pergunta que eu poderia dar qualquer tipo de resposta genérica, como já fiz algumas vezes, me fez pensar um pouco mais sobre o assunto. 

Quando ainda estamos na fase de transição entre a infância e a vida adulta, a.k.a. adolescência, nós, mesmo que de maneira inconsciente, buscamos grupos que nos aceite e que nos deixe a vontade, buscamos experiências para crescer, afinal são das experiências da vida que nós construímos a nossa personalidade -  nenhuma escola vai construir a sua personalidade. Minha vontade nessa época da vida era de chegar na escola usando meu all star desfiado com cadarços coloridos, meu cabelo moicano e aquela infinidade de piercings , que no final das contas só expunha um pouco do desejo que eu tinha, e talvez ainda tenha, de viver sem preconceitos, viver mostrando minha personalidade. No colégio não foi possível encontrar essa liberdade de expressão, nem mesmo meu grupinho. Como qualquer pessoa fora dos padrões, que vive em meio a vários jovens “normais” eu sofri bastante preconceito, não digo que sofri bullying porque só sofre desse mal quem permite o bullying acontecer, eu nunca permiti, mas esse não é o assunto para agora.  

Em meio ao preconceito do colégio e a vontade de me encontrar, é que foi surgindo minha paixão pelo mundo da moda. Eu tinha a ilusão de que nesse mundo eu encontraria um lugar onde eu pudesse ser quem eu realmente quisesse ser, e o preconceito seria apenas um termo do dicionário. Algum tempo se passou, e eu comecei a conhecer pessoas que já trabalhavam com moda, ir a eventos e criei o meu blog, a fim de mostrar para um número maior de pessoas não só as minhas experiências nessa área, mas sim a minha felicidade de estar entrando para esse mundinho. Vamos dizer, cinco anos atrás, tudo isso estava acontecendo na minha vida, eu realmente me senti a vontade na moda, aprendi a respeitar  o trabalho dos outros,  aprendi a me desprender do preconceito com uma galera que não sei mais por onde anda, mas sei que não estão mais por aqui, e aprendi, a expor as minhas ideias de forma natural sem bombardear o próximo. Quando eu comecei conhecer a moda ela ainda era leve, pelo menos era leve para um adolescente que não entendia muito bem o que acontecia por trás de todo aquele tecido. Na moda eu aprendi muito, encontrei o mundo que eu idealizava, mas parece que estou perdendo esse mundo aos poucos, ou ele está se acabando para todo mundo.

A experiência de ter um blog de moda, me deixa muito próximo a milhares de jovens espalhados por vários cantos do Brasil, em alguns dos casos que recebo dessa galera por e-mail, eu consigo me identificar com situação. Muitos de vocês estão vivendo exatamente o que eu vivi uns 5 anos atrás, eu fico feliz em ver que ainda estão surgindo por ai pessoas com cabeças abertas e afim de impor pra sociedade a sua personalidade, mas em meio a esses e-mails empolgantes, aparecem os vários outros vindos de futuros destruidores da liberdade de expressão na moda. Meninos que se dizem “fashionistas”, que visitam vários blogs de moda (em alguns casos até possuem o próprio blog) remoendo um preconceito absurdo para os dias de hoje. Tudo que não está sendo massificado por toda a mídia acaba sendo considerado exagerado demais ou “roupa de viado”(pior é ouvir isso de quem é homossexual), e dai liberdade de se expressar através do que você está vestindo vai se perdendo, vai se acabando. Não digo que esse preconceito vem diretamente ao que eu visto, mas também ao que as outras pessoas vestem. Os haters acabam podando a criatividade de muita gente por ai. As vezes eu evito abrir uma discursão pelos fóruns de moda espalhados pela internet para evitar respostas sem fundamento e de extremo preconceito, evito encarar de novo o grupinho de cabeça fechada do colégio no mundo que eu jurava poder ter a liberdade de ser como eu quisesse ser. Minha maior vontade é viver a moda como era antes, ou pelo menos era na minha cabeça.  

3 comentários:

  1. É bom ver que vc voltou com força ao blog! mil inspirações e idéias que vc tem e que ajudam aqueles que amam moda! amo o blog e bom saber que ama faze-lo tbm! abraços Leo

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  2. cabeça erguida rapaz,agora e sua vez de inspirar quem sofre preconceito,e o resto... ninguém nunca precisou de restos para ser feliz!abraços <3

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  3. Show de bola cara. Eu costumava ler o seu blog esporadicamente agora leio quase que todos os dias. Graças a você estou pegando gosto por moda, me vestindo bem e o melhor de tudo, me sentindo uma pessoa melhor.

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